Há uma diferença importante entre ouvir as palavras de alguém e tentar compreender verdadeiramente aquilo que essa pessoa está a comunicar.
Numa conversa difícil, é comum começarmos a preparar a resposta enquanto o outro ainda fala. Procuramos argumentos, explicações ou formas de defender a nossa perspetiva.
O problema é que, quando fazemos isso, podemos continuar fisicamente presentes na conversa sem estarmos realmente disponíveis para compreender.
Ouvir é mais do que permanecer em silêncio.
Escutar não significa concordar. Também não significa abandonar a nossa perspetiva ou aceitar tudo aquilo que o outro diz.
Significa criar espaço suficiente para tentar perceber o que está por trás das palavras: uma preocupação, uma necessidade, uma emoção ou uma experiência que talvez seja diferente da nossa.
Compreender a experiência do outro não nos obriga a concordar com ela.
Esta distinção pode mudar profundamente a qualidade de uma conversa. Quando deixamos de interpretar cada frase como algo que precisa de ser corrigido ou contestado, começamos a encontrar informação que antes não conseguíamos ouvir.
Porque é tão difícil ouvir quando as emoções aumentam?
Quanto mais importante é uma conversa, maior pode ser a nossa necessidade de proteger a própria posição.
Uma crítica pode parecer uma ameaça. Uma diferença de opinião pode ser interpretada como rejeição. Uma pergunta pode soar como acusação.
Nessas situações, deixamos facilmente de tentar compreender e começamos a tentar resolver, justificar, defender ou vencer.
A intenção muda a escuta.
Existe uma diferença entre entrar numa conversa com a intenção de provar um ponto e entrar com a intenção de perceber melhor o que está realmente a acontecer.
A segunda intenção não garante que o diálogo seja fácil, mas altera a forma como prestamos atenção às palavras, ao tom e às necessidades envolvidas.
O que muda quando alguém se sente verdadeiramente ouvido?
Muitas vezes, uma conversa começa a perder intensidade quando deixamos de tentar responder imediatamente e demonstramos que compreendemos aquilo que está a ser comunicado.
Isto não significa repetir mecanicamente as palavras da outra pessoa. Significa mostrar que estamos a tentar compreender aquilo que é importante naquele momento.
Uma frase simples pode mudar o ritmo do diálogo:
“Quero perceber melhor o que estás a tentar dizer.”
Quando existe espaço para compreensão, torna-se mais provável que ambas as pessoas consigam expressar-se com menos necessidade de defesa.
Uma pequena prática para ouvir melhor.
Não precisamos de transformar todas as conversas numa técnica. Podemos começar apenas por introduzir uma pequena pausa antes de responder.
Antes de responder
Na próxima conversa importante, experimenta estes quatro passos.
Parece simples. E é simples. Mas simples não significa automático.
Ouvir com intenção exige prática, sobretudo nas conversas onde temos mais vontade de interromper, defender ou responder imediatamente.
Relações melhores também se constroem na forma como ouvimos.
Uma boa conversa não depende apenas de encontrar as palavras certas. Depende também da capacidade de criar espaço para compreender antes de responder. Às vezes, a mudança começa precisamente aí.